domingo, 3 de fevereiro de 2013

Crítica: Os Miseráveis



Os Miseráveis (Les Misérables, 2012) é mais uma das muitas adaptações da clássica novela de Victor Hugo, de mesmo nome. E dessa vez temos uma adaptação algo que definitiva para as telas. Os Miseráveis, dirigido por Tom Hooper, é um musical grandioso que não tem vergonha de mostrar seu maior objetivo: emocionar as pessoas.
O narrativa do filme dura 17 anos e conta a história de Jean Valjean (Hugh Jackman), um ex-presidiário (cujo crime, aliás, foi roubar um pão para dar ao filho de sua irmã) que anos após ter fugido de sua liberdade condicional, se tornou o prefeito de sua cidade. Entretanto, Javert (Russel Crowe), o inspetor de polícia, descobre a verdadeira identidade de Jean e começa a persegui-lo. Enquanto isso, Jean promete cuidar de Cosette (Amanda Seyfreid, quando adulta e Isabelle Allen, criança), filha de Fantine (Anne Hathaway - futura ganhadora do Oscar) , uma ex-funcionária sua que está morrendo.
A participação de Hathaway no filme não é longa. Ela morre logo, mas ainda assim é um dos maiores destaques do filme. Claro, a personagem tem uma vida sofrida (o título Os Miseráveis, já sugere isso) e a atriz dá toda sua alma ao papel. É de apertar o coração ver Fantine vendendo seu cabelo, seus dentes e sua honra para mandar dinheiro a sua filha. E depois de seu 1° trabalho como prostituta, Anne dá sua interpretação da música "I Dreamed a Dream". Durante os quatro minutos da música, a camêra fica só no rosto de Hathaway, acompanhando sua expressão enquanto canta a música, como se vivesse cada palavra da canção. Além dessa cena lindissíma e que justifica completamente porque ela deve ganhar o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, ainda temos a cena da morte da Fantine, com ela falando com a filha (na imaginação) antes de morrer.
Outro destaque de atuação está com Hugh Jackman. Jean Valjean é o protagonista do filme e a atuação de Hugh é excepcional. Dentre as cenas mais bonitas está a em que ele canta a música "Sudenly" com Cosette em seu colo e, bem, o seu final. Mas durante todo o filme o ator defende o seu personagem com maestria e não é difícil pensar no porque dele ter sido indicado ao Oscar.
O diretor Tom Hooper consegue, assim como em O Discurso do Rei, nos inserir na época e no contexto do filme. Os cenários, os figurinos, maquiagem e penteados nos transportam para a França com uma forte divisão de classes do século XIX. Outra escolha acertada do diretor é fazer os ators cantarem ao vivo ao invés do playback utilizado na maioria dos musicais. Isso permite com que os atores atuem as palavras que cantam (já que o filme é 99,9% cantado, isso é muito importante) e garante cenas belíssimas como a sequência de "I Dreamed a Dream" de Anne Hathaway e "On my Own" de Samantha Barks.
Quanto a Samantha, esse é seu primeiro trabalho como atriz, mas com certeza não será o último. A sua atuação é um dos maiores destaques do filme e as sequências de "On my Own" e "A Little Fall of Rain" são de emocionar qualquer um. Sua atuação até me levantou a dúvida se ela não poderia ter sido indicada como Melhor Atriz Coadjuvante no Oscar ou no Globo de Ouro. Acho que sim.
Éponine, a personagem de Samantha tem uma paixão não correspondida por seu melhor amigo Marius Pontmercy, que é muito bem interpretado por Eddie Redmayne. Após uma atuação boa, mas nada excepcional em Uma Semana com Marilyn, aqui o ator realmente se destaca.
Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen interpretam os Thénardies, estalajandeiros nojentos e sem moral nenhuma. Apesar de personagens "ruins", eles garante os poucos momentos do filme em que é possível dar uma risada. O talento dos atores só é ressaltado, por exemplo, na ótima e divertida sequência de "Master of the House".
Todos os outros atores que não ganharam parágrafos aqui também estão bem: Russel Crowe, Amanda Seyfriend, Aaron Tveit e o elenco infantil.
Com uma enorme e grandiosa produção, atuações espetaculares e músicas lindas, Os Miseráveis é um musical excelente, e, principalmente, emocionante. Altamente recomendado (e assista no cinema - ver os close-ups do rosto dos atores na tela grande e ouvir as músicas com o som alto do cinema só intensificam a experiência).

Um comentário:

  1. Achei o filme lindíssimo! Morri de chorar no cinema. Tudo muito bem bem produzido, com atuações excelentes e personagens muitíssimo cativantes!

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